A figura do engraxador já teve mais relevância do que hoje, com a sua caixa de trabalho repleta de graxas, escovas e panos e às vezes com um banco para algum cliente menos equlibrista para aguentar uns tantos minutos só com um pé no chão e perna dobrada como um flamingo. Os engraxadores ocupavam sítios estratégicos, como os Restauradores, o Chiado, o Cais do Sodré, ou eram nómadas de esplanada em esplanada à espera de um cliente que desse brilho ao calçado enquando lia o jornal e tomava a bica. Não raras vezes, havia os célebres "céguinhos" de concertina nas mãos, dando música a transeuntes apressados e esperando que uma bem-vinda moeda entrasse no seu mealheiro. Pintura em acrílico sobre tela. 50 cms x 40 cms.
Engraxador, "ceguinho" e o tradicional eléctrico em pano de fundo.